quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Intergeracionalidade"


"Intergeracionalidade": um novo caminho

O fato de podermos cada vez mais ter uma vida prolongada nos permite viver diferentes papéis e funções


Estamos presenciando filhos que vivem um tempo maior na casa dos pais, pois o período de adolescência até a entrada na vida adulta também tem se estendido. Os pais que passam a conviver com filhos jovens-adultos necessitam fazer constantemente acertos para poderem entrar em sintonia, neste ritmo que se instala e permanece por um longo período.

É o encontro de pais que vivem a maturidade e o começo do envelhecer com filhos que têm suas questões de escolhas e desejos. Torna-se ímpar o exercício da tolerância e o respeito de ambas as partes. Algumas mães e pais de filhos na faixa dos vinte e tantos anos ficam um pouco constrangidos em saberem que eles vivem uma sexualidade (que, aliás, faz parte do processo de desenvolvimento).

Outra questão também muitas vezes discutida é a relação com as noras e os bebês que nascem destes filhos. Nem sempre a forma com que cuidamos de nossas crianças irá se reproduzir (ou é a melhor). E me parece muito importante que possamos aceitar que nossos filhos não serão a cópia daquilo que somos. Às vezes, temos este desejo quase que mágico de querer perpetuar nossos filhos adultos nas crianças que eles foram um dia. Aceitar que possam ter os seus caminhos de escolha não significa que estejam rompendo com aquilo que demos a eles. O conflito "intergeracional" faz parte do processo de crescimento e da verdadeira capacidade dos pais amarem seus filhos.

Cada um de nós tem que rever os seus ideais, que muitas vezes tornam nossos filhos aprisionados e temerosos, com pais vingativos que não aceitam que, neste processo de mudanças de posições, é possível ter a flexibilidade do bambu – e isso pode significar um desapego e uma nova forma de ver o mundo.

Talvez a nossa capacidade de amadurecermos possa nos conceder um papel materno-paterno de mais compreensão e grandeza. Talvez o exercício da “avosidade” nos prepare para um patamar maior, no qual o amor e o sorriso dos nossos netos sejam mais importantes do que a obediência cega e não contestadora.

Não existe crescimento sem um questionamento maior, poder ouvir, escutando as reais necessidades do outro, tão próximo a nós, pode ser um percurso na preparação para o verdadeiro amadurecimento.


Autoria: Dorli Kamkhagi - dkamkhagi@ig.com.br - é doutora em Psicologia Clinica, mestre em Gerontologia e pesquisadora Do Lim 27- Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

3 comentários:

  1. Adorei o post!
    Não existe crescimento sem um questionamento maior"
    Essa com certeza é uma frase de peso, tambem peso assim, porque quanto mais crescemos, mais questionamos as coisas, as pessoas e a vida.

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  2. Oi, Rosani
    Adorei teu blog, traz muita paz e tranquilidade.
    Abraço

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